Projeto Colapso

Prólogo

Era à noite, estava frio, uma névoa espessa cobria a cidade. Meus pés doiam, resultado de um longo dia de trabalho e dos dedos congelados dos pés. Virava a rua da igreja, perto de casa. Olhei em volta, e nada mudara, tudo estava do jeito de sempre, calmo e nostálgico.  E nunca mais vi nada, estou em outro lugar.

Capítulo 1

A ” Caverna”

Onde estou?

É escuro, abafado, não abafado de quente, é como estar muito à baixo da superfície, o ar é diferente, pesado. Sinto falta do ar lá de cima, aqui o ar tem um aroma àcido, úmido e frio que me intoxica, como se estivesse sob efeito de alguma droga.

Estou de pés descalços, o chão é poroso e escorregadio, é um pouco quente e parece que transpira frio, como se estivesse febril. Dei alguns passos, a acidez do ar aumentou, não estou mal, estou desorientado, hipnotizado e perdido. Não vejo nada desde que desapareci de perto de casa, hora penso que aqui é muito escuro, noutra penso que estou cego. Caminho constantemente em busca de luz, nesse momento quase duvido que exista luz aqui.

Também escuto o som, como se fosse de um animal, ele faz muito barulho, não um som alto, muito em freqüente, todo o tempo, um som que nunca ouvi antes.

Hoje só considero o meu passado, por meio das lembranças, e o hoje. Não sei, nem tento mais fazer planos, é sempre do mesmo jeito. Já dormi muitas vezes, já deveria estar morto na verdade, de sede ou fome. Suspeito que existe algo microscópico vivo no ar, e como ele é muito úmido, devo dele me nutrir.

Sinto falta de algo para fazer, gostaria de ter papel e caneta, para ao menos registrar isso tudo que está acontecendo.

Passando as mãos no meu rosto, sinto minha barba crescendo todo tempo, não sei se isso me diz a quanto estou aqui, ou se presto demasiada atenção na barba. Não faço idéia de quanto tempo já estou aqui, dormi e acordei muitas vezes, não tenho sonhos. As unicas coisas com que existe algum tipo de interação é a escuridão,o chão, o som e o cheiro. Existe  O Pensamento, se não pudesse pensar, deduzir, calcular e lembrar, morreria de tédio.

Sempre penso no mundo normal, cheio, colorido, dinâmico e com muitos outros seres, mas, eles só surgem em palavras…não lembro de imagens, nem como são as cores. Tudo se perdeu, as idéias não tem cor, nem som.

Sobre @le_oshiro
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